segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quando te vi. (Parte I)

Eu era apenas uma foto diante de tantas num site de relacionamentos.
Já estava eu há alguns anos esperando alguém que fosse real, que me fizesse esquecer das minhas lágrimas.
Fugindo do Recife, de um relacionamento de quase cinco anos. Encontrava dificuldades tanto em mim quanto nas pessoas aqui no Rio de Janeiro.
Sentia o medo e os traumas ardendo como feridas recentes em meu ser. O sofrimento por estar distante do Recife, da minha família e do meu mundo, me faziam ainda mais ficar em cima do muro e diante de um abismo. Quando olhava para trás eu via todo o meu passado, mesclado com a saudade e a dor de um rompimento amoroso. E na minha frente um abismo, por não conhecer nada aqui no Rio de Janeiro. Sentia o frio da solidão soprar em minha alma.
E nesse tentar equilibrar-me no muro, já não conseguia dormir. Chorava todos os dias e tentava compreender o porque de tudo aquilo. Como o amor que te dá carinho, atenção e cuidado; podia me fazer sofrer...
Ficava com uma história, como uma música repetida na minha mente, fui banido, fui banido. Tentar me encontrar em tudo tão diferente, foi algo muito difícil. 
A saudade do meu cachorro Kalú, me fazia chorar no trem indo para o trabalho. O eco das palavras do nosso relacionamento, tudo parecia tão vivo.
Vagava entre pessoas sem ver as cores, sem sentir o cheiro, sem rumo e preso num labirinto sem fim.
A minha mãe mal falava comigo, e o meu irmão nem no meu aniversário me procurava. 
Transpassado por corpos, e invisível aos olhos de tantos, assim eu gritava na ardência do meu sexo. E logo o frio me tomava na mais absoluta solidão.
Dormia num quarto menor do que eu fui criado. Conheci pessoas que eu antes julgava diferente e que no momento foram as que me deram atenção e abrigo.
Quando sofri o preconceito, aprendi que eu era igual a todos que eram excluídos.


Continua...